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1)  Histórico do Movimento Psicanalítico

2) Artigo do Mês

3) Informações Gerais sobre o Movimento Psicanalítico

4) Onde e Como Encontrar Tratamento Psicanalítico  

 

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1) HISTÓRICO DO MOVIMENTO PSICANALÍTICO 

 Texto Produzido por Leontino Farias dos Santos - Psicanalista       

 Informações Gerais

        O movimento psicanalítico tem início com Sigmund Freud (1856-1939), nascido em Viena, um dos mais famosos e significativos pensadores dos últimos tempos, embora pouco compreendido por muitos.

        Em sua obra “A História do Movimento Psicanalítico”[1], Freud trata da história de seu movimento ao chamar a atenção para aspectos de seu desenvolvimento e a discussão de princípios fundamentais da Psicanálise. Mostra que esta difere de outras formas de investigação da vida mental e atribui para si a criação da Psicanálise, embora reconheça que Josef Breuer teve o mérito de ser um precursor da mesma ao trabalhar com o “método catártico” na busca de solução de problemas como a “histeria”. Freud reconhece como fundamental nas descobertas de Breuer “o fato de que os sintomas de pacientes histéricos baseiam-se  em cenas de seu passado que lhes causaram grande impressão mas foram esquecidas (traumas)”. Freud reconheceu valor na terapia aplicada por Breuer que consistia em fazer com que seus pacientes pudessem lembrar e reproduzir suas experiências com a catarse, com a hipnose, mas não adotou seguidamente essa prática com os seus próprios pacientes.

            A obra de Freud, segundo Richard Osborne, em “Freud para Principiantes”[2], pode ser vista sob quatro aspectos: 1. Estudos sobre a histeria, sob a influência de Breuer; 2. A auto-análise e a formulação dos princípios básicos de sua teoria; 3. Desenvolvimento da Psicologia do Id – primeiro sistema de Psicanálise; e 4. Desenvolvimento da Psicologia do Ego, a ampliação e modificação de idéias anteriores.

            Ao criar o termo “Psicanálise”, em 1896, depois de um longo esforço para elaborar as suas idéias sobre as causas da neurose e de outros distúrbios mentais, deixou claro que esse novo campo de conhecimentos pode ser visto como um tipo de terapia, cujo objetivo é diminuir o sofrimento, baseado em diversas teorias sobre o inconsciente e sua interpretação; também deve ser visto como uma teoria geral sobre o desenvolvimento e funcionamento da personalidade humana, e ao mesmo tempo um conjunto de teorias sobre o funcionamento do homem em sociedade.

            Uma visão rápida sobre o século XIX e que favoreceram ou dificultaram o surgimento destas novas idéias, quando surge a Psicanálise, mostra que nesse contexto destacam-se a influência de Charles Darwin com sua Teoria da Evolução; o desenvolvimento do Positivismo de Augusto Comte, que procurava elaborar leis gerais que pudessem descrever as relações entre os fenômenos; a presença da Psicologia associacionista de Berkeley, Hume e outros e de igual modo a idéia crescente do determinismo; e estudos psiquiátricos que buscavam uma nova visão da mente, que se preocupava em encontrar uma definição científica para as doenças mentais.

            O início do trabalho de Freud que deu origem ao movimento psicanalítico, desenvolveu-se de forma sistemática. A princípio ele procurava psiquiatras que concordassem com ele, tendo em vista que muitos também o criticavam até como um megalomaníaco. No entanto ele reconhecia que os seus esforços nem sempre foram bem reconhecidos. Teve dificuldades para ser nomeado pelo Imperador e assim conseguir o seu registro de professor. Quando conseguiu, teria se tornado ambicioso! Apesar de tudo, Freud levou as suas idéias para os Estados Unidos (Hollywood – 1909). Seu movimento aos poucos cresceu a partir da Sociedade das Quartas Feiras, que se reunia na Sala de Espera de Freud (1902). Entre momentos favoráveis e desfavoráveis, muitos companheiros a favor e outros contra, o movimento psicanalítico ganhou terreno lentamente. Foi muito combatido por psiquiatras, psicólogos e pela imprensa em geral de sua época.

 

Principais Teorias Freudianas que Marcaram o Movimento Psicanalítico

            A Experiência de Freud com a Histeria – Em 1885 ao permanecer em Paris por algum tempo, Freud trabalhou com o famoso neurologista Charcot, que na época fazia experiências com a hipnose em função da cura de mulheres com histeria. Charcot conseguira provar que os sintomas histéricos não tinham uma origem anatômica mas que poderia fazer desaparecer e aparecer seus sintomas quando as pessoas fossem hipnotizadas. Convém lembrar que as pessoas histéricas no passado costumavam ser queimadas como se fossem bruxas; muitas eram aprisionadas e perseguidas. A histeria era considerada uma doença apenas própria de mulheres.

            Ao voltar de Viena, depois da experiência com Charcot, em Paris, Freud começou a trabalhar com Breuer, um famoso médico também interessado no tratamento de pessoas histéricas. Breuer ofereceu apoio financeiro e acadêmico a Freud, até o dia em que este separou-se de seu protetor, por entender que a hipnose não era o melhor caminho para a cura de pessoas histéricas. Ana O. era uma jovem de 21 anos de idade, histérica, que teve os seus sintomas diminuídos quando, hipnotizada, conseguiu jogar para fora as razões de sua enfermidade que, entre elas,  tinha relação com os seus desejos recalcados em relação ao pai, que já morrera.

            Freud e Breuer descobriram que a histeria também podia ter uma origem psicológica e que os pacientes não se lembravam desse fato, como a totalidade dos sonhos, por exemplo. Isso levou Freud a pensar na noção de processos inconscientes de memória e na idéia de repressão.  Constatou-se, mais uma vez que depois de se trabalhar uma memória, ou dela se tornar consciente através da hipnose, ela desaparecia. A única maneira de explicação para isso, seria reconhecer o fato de que as memórias são reprimidas e distorcidas. Daí surgiu a noção de “recalque”.

Freud separa-se de Breuer. Freud descobriu, ao observar seus pacientes, que a resistência deriva de desejos sexuais reprimidos, que eles não queriam admitir. O próprio Breuer não concordou com essa posição de Freud e, com ele, a maioria dos especialistas da época; Freud e Breuer viviam em uma sociedade em que a sexualidade era recalcada, e não era assunto popular. A partir daí Freud abandona a hipnose.

            Algumas idéias passaram a incomodar cada vez mais o pensamento de Freud: a maioria das neuroses agudas nas mulheres  tem origem no leito conjugal; todo o indivíduo é masculino e feminino ao mesmo tempo; a vida é controlada por fenômenos periódicos ligados à nossa estrutura bissexual. Freud chega ainda à conclusão de que todas as neuroses são conseqüências de algum abuso sexual sofrido na infância, cometido na maioria das vezes pelo pai. Ele desistiu dessa teoria em 1897.

            Freud e a interpretação dos sonhos. Depois da morte do pai e de várias sessões de auto-análise, Freud voltou-se para o trabalho de análise dos sonhos. Começou a perceber que o desejo inconsciente que se manifestava nos sonhos vinham de memórias da infância. Chegou à conclusão de que o inconsciente do adulto era formado pela criança que se esconde dentro de cada um. O caso de Anna O. exerceu grande influência no delineamento do pensamento de Freud. Ele percebe que o tratamento com a hipnose parecia curar os sintomas, mas que muitas vezes o problema voltava, ainda que de outra forma. Assim, ele chegava à conclusão de que os distúrbios neuróticos tinham raízes mais profundas do que se acreditava. Desta forma, a associação livre permitia um exame cada vez mais penetrante da mente de seus pacientes. Percebendo que essas forças eram inconscientes, Freud deixou de lado a fisiologia, e a neurologia, e optou pela terapia pela auto-análise e à cura pela palavra, o que o levaram à criação de modelos da mente e a uma noção de padrões psíquicos universais.

            Conforme Freud, a interpretação dos sonhos tem dois objetivos: o de demonstrar como a análise dos sonhos confirma as suas teorias sobre a mente inconsciente.; e o de mostrar como essa técnica funciona. Para Freud todos os sonhos têm um significado; cada sonho tem uma causa; só conseguimos nos lembrar de seu conteúdo manifesto; o que está latente (oculto – a parte recalcada, ou inconsciente) é a sua causa; há uma relação complexa entre o sonho e sua causa, que só pode ser descoberta através da associação livre.

            A associação livre. Tornou-se algo fundamental para Freud, na medida em que vê o caminho de volta para as memórias mais antigas como algo constantemente bloqueado pela resistência e pela transferência. A hipnose e a técnica da pressão não funcionavam, pois não conseguiam lidar com a resistência e o recalque. Desta forma, apenas a associação livre podia revelar as conexões ocultas entre idéias e imagens. Só se pode trazer à tona o que está enterrado no inconsciente através da análise cuidadosa dos fragmentos que se encontram na superfície – a associação livre.

            A origem dos sonhos, segundo Freud, tem a ver com as principais informações contidas nos mesmos e que derivam de: 1. Acontecimentos recentes e fatos emocionais óbvios, como algo que causa algum tipo de irritação. A vingança, por exemplo, pode ser obtida através do sonho – trata-se da simples realização de um desejo. 2. Várias idéias são misturadas pelo sonho; trata-se do fenômeno também conhecido como “condensação”. 3. O “deslocamento” é um outro fenômeno que envolve um acontecimento marcante que pode ser representado por uma memória recente, mas sem importância. A associação livre, neste caso, revela a ligação oculta. 4. Memórias esquecidas há muito tempo são representadas por idéias triviais recentes. Trata-se de deslocamento profundo que só pode ser revelado através da Psicanálise.

            Como os sonhos funcionam: Os mecanismos dos trabalhos do sonho são: 1. Como já vimos, a condensação, que ocorre quando uma única imagem pode representar várias associações. “Pode-se calcular a complexidade do conteúdo latente de um sonho ao se analisar como idéias antigas, recalcadas ou não- reconhecidas, além de associações imprevistas, estão ligadas à imagem condensada que forma a fachada do sonho. É o que Freud chama de “sobredeterminação”[3]. 2. O deslocamento, um outro fenômeno do sonho, ocorre quando os sentimentos ligados a um determinado objeto passam a ser associados a outro. Assim, o ódio a alguém pode ser deslocado para um cachorrinho branco, por exemplo. 3. A dramatização é um outro fenômeno; a maior parte dos sonhos tem um caráter visual, como ocorre com um filme. Como em alguns filmes ruins, às vezes não parece haver uma ligação clara entre os acontecimentos, ou às imagens de um sonho. No entanto, todo filme conta uma história. Nos sonhos, a história está escondida e as imagens fornecem as pistas para descobri-la. 4. A simbolização: as imagens substituem, ou simbolizam, outras coisas. Símbolos fálicos – como revólveres, prédios altos, etc – são bastante conhecidos (o que não deixa de ser interessante...). Os sonhos utilizam muito os símbolos. Neles os símbolos são empregados praticamente apenas para representar objetos e relações sexuais (Freud). 5. Elaboração Secundária – Quando acordamos, lembramos do sonho e começamos a imaginar o que ele significa. Em síntese, pode-se dizer que os sonhos são versões distorcidas, disfarçadas, de desejos ocultos e recalcados. Eles são uma espécie de relatório sobre aquilo que acontece no inconsciente, mas que a mente consciente só recebe depois que passaram por um certo tipo de trituração na mente.

            O Inconsciente. De maneira descritiva o inconsciente refere-se a todos os conteúdos que não se encontram na consciência. Ele é dinâmico; não é uma qualidade em particular de um estado mental, mas a sua função. Nele estão forças recalcadas que lutam para passar para a consciência, mas são barradas por um agente repressor. Esta visão dinâmica levou Freud à estruturação de um esquema sistemático ou estrutural, onde o aparato psíquico é encarado como um conjunto formado por várias regiões, responsáveis por funções diferentes. Esse aparato compõe-se dos seguintes elementos: o ponto de vista dinâmico, que encara a mente como um campo de interação de forças opostas, onde o mecanismo de recalque tem importância crucial. O ponto de vista topográfico ou sistemático é o outro segmento. Ele divide a mente em vários sistemas com características e funções diferentes. Finalmente, temos o ponto de vista econômico, que procura acompanhar as mutações de certas quantidades de excitação e chegar a uma estimativa relativa de sua magnitude.

            Em 1914, Freud apresenta em detalhes o que passou a ser conhecido como a “primeira topografia” ou primeira estrutura do aparelho psíquico, segundo a qual a mente é formada pro três sistemas: 1. O Inconsciente, propriamente dito (Ics – engloba os conteúdos recalcados pelos processos de recalque primário ou de recalque secundário); 2. O Pré-Consciente (Pcs – abrange os conteúdos que, apesar de não serem conscientes, podem passar para a consciência, isto é, não são recalcados); 3. O Sistema Percepção Consciência (Cs – reúne todos os conteúdos que são conscientes num sentido descritivo). O recalque ocorre na fronteira entre os sistemas Ics (Inconsciente) e Pcs (Pré-Consciente).

            Em “Psicopatologia da Vida Cotidiana”, texto escrito após “A Interpretação dos Sonhos” (1900), Freud pretendia provar que o inconsciente está presente naquilo que costumamos descrever como eventos do dia-a-dia: enganos, erros, omissões, falhas de memória, etc. Para ele, nada disso ocorre por acaso; estes fatos revelam os estratagemas da mente inconsciente.

Os “atos falhos”, por exemplo, ao lado de outros erros, muitas vezes expressam a realização de desejos que deveriam ser negados. Neste caso, a intenção assume o disfarce de um acidente fortuito.

            As piadas, por exemplo, são vistas por Freud na mesma perspectiva das neuroses, os sonhos e os atos falhos. Sua função, principalmente as mais tendenciosas, seria dar vazão a uma inibição. Elas tornam possível a satisfação de um instinto (libidinoso ou hostil) diante de um obstáculo colocado em seu caminho. No fundo, todas piadas são simplesmente uma técnica para se obter algum tipo de gratificação sexual.

Em sua obra “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade” (1905), Freud rompe com as noções tradicionais a respeito do que seria a sexualidade. Ele entendia que a sexualidade humana consiste em tentar por os próprios órgãos genitais em contato com os de alguém do sexo oposto. A este ato estão associados, como fenômenos acessórios ou introdutórios, os atos de beijar o corpo estranho, contemplá-lo, tocá-lo. Esse empenho surge na puberdade, na época do amadurecimento sexual – e serviria apenas para a reprodução. No entanto, sempre tornaram-se conhecidos certos fatos que não se encaixam neste quadro limitado: 1. É marcante o fato de que algumas pessoas só se sentem atraídas por indivíduos do mesmo sexo e seus órgãos genitais. 2. Outro fato extraordinário é a existência de algumas pessoas cujos desejos parecem funcionar da mesma maneira que os sexuais, mas que ao mesmo tempo desprezam os órgãos sexuais ou o seu emprego normal. São os que foram chamados de “pervertidos”. 3. Por fim, é surpreendente que algumas crianças (consideradas degeneradas) apresentem um interesse precoce por seus órgãos genitais, com sinais de excitação.

            Fases do desenvolvimento emocional da criança: 1 – Fase Oral: que corresponde à boca como zona erógena que dá prazer. Quando o bebê suga o seio materno tem um duplo prazer: o da amamentação em si; e o prazer sexual localizado na boca. Sugar o seio da mãe é o ponto de partida de toda a vida sexual; é o primeiro objeto de amor. 2 – Fase Anal: o ânus é a segunda zona erógena; quando o prazer anal mais simples é esvaziar o intestino. A criança pode obter satisfação ao se exibir diante dos pais, ao lhes dar um presente ou prender as fezes para desafiá-los. 3 – Fase Fálica: a criança toma consciência de sua zona erógena baseada nos órgãos genitais, deixando para trás a fase oral e a fase anal. Freud afirma que a criança só conhece um órgão genital, o falo, e que a oposição entre meninos e meninas se dá em termos de fálico e castrado. A primazia do falo é o fator mais significativo desta fase. É também a fase em que as meninas passam a ter inveja do pênis.

            A segunda tópica – uma revisão da estrutura do aparelho psíquico. A partir de 1920, Freud trabalhou com o que se chamou de segunda tópica, isto é, ele propõe uma revisão da estrutura do aparelho psíquico ou a também chamada segunda topografia da mente. Tal revisão inclui a estipulação de nova divisão do aparelho psíquico, que ficou assim estruturado: 1 – O Id (o novo nome do Inconsciente), regido pelo princípio do prazer; deseja e age, enquanto o Ego procura manter a coerência do todo. 2 – O Ego (Consciente), regido pelo princípio de realidade; este princípio bloqueia o poder do Id e procura mediar as necessidades complexas derivadas do padrão de desenvolvimento psicossexual do indivíduo. 3 – O Superego – Suas origens estão na internalização da culpa de ter matado o pai (complexo de Édipo); é uma versão internalizada dos limites externos. Tem a função, o poder e os métodos do agenciamento parental. Seu desenvolvimento acompanha a resolução do complexo de Édipo. Se este não é bem resolvido, o crescimento do Superego é interrompido. A criança recalca seu desejo e ódio pelos pais e monta o Superego como uma defesa. Ele é uma forma de medir o Ego, está sempre exigindo a sua perfeição. Exerce a função de auto-observação, da consciência e da manutenção de um ideal a ser atingido. Ele pune o indefeso, que “se culpa” pela perda do objeto perdido (pai, mãe, amante, etc). O indivíduo se sente ameaçado de ser punido por causa de uma transgressão moral.

            O complexo de Édipo. Segundo Freud, todo o desenvolvimento da sexualidade infantil, a sua busca de um objeto, está relacionada aos pais. O desejo secreto de relações sexuais com o progenitor do sexo oposto está na base de tudo. Há também um ódio equivalente ao progenitor que barra o caminho. É esta relação com os pais que torna o complexo de Édipo universal. Este nome (Édipo) está relacionado ao mito grego no qual Édipo mata o pai, casa-se com a mãe e soluciona enigmas. É na fase edipiana que as meninas se tornam futuras mulheres e os meninos, futuros homens. Freud encara o complexo de Édipo pela ótica do menino ativo, que deseja a mãe e tem medo de ser castrado pelo pai. A solução normal para esse complexo é o seu recalque por parte da criança, que entra no período de latência. A maneira como ele é resolvido e recalcado volta à tona na puberdade.

            Os mecanismos de defesa do Ego: Os acontecimentos do mundo externo ou interno quando são percebidos, podem ser algo muito constrangedor, doloroso, desorganizador. Com a finalidade de evitar esses desprazer, os indivíduos “deformam” ou suprimem a realidade. Para isto, deixam de registrar percepções externas, afastam determinados conteúdos psíquicos, interferem no pensamento. Desta forma, vários mecanismos são utilizados para realizar esta deformação da realidade. São os chamados mecanismos de defesa: Recalque – quando o indivíduo “não vê”, “não ouve” o que ocorre consigo. Nessa condição, existe a supressão de uma parte da realidade; O que não é percebido pelo indivíduo faz parte de um todo; ao ficar invisível, altera, deforma o sentido do todo. Um exemplo disso é quando entendemos uma proibição como permissão.porque não “ouvimos” o “não”. O recalque é o mais radical dos mecanismos de defesa. Formação reativa – é outro mecanismo de defesa que ocorre quando o ego procura afastar o desejo que vai em determinada direção e ocorre o desvio através de uma atitude do indivíduo, oposta a este desejo. É o caso, por exemplo, de uma atitude de superproteção de uma mãe em relação a um filho; essa atitude pode esconder um desejo agressivo intenso, para preservar o indivíduo de uma descoberta acerca de si mesmo, em relação a algo que lhe seria muito doloroso, isto é, uma agressividade intensa contra o filho. Regressão – quando o indivíduo retorna a etapas anteriores de seu desenvolvimento. Veja-se como exemplo quando a pessoa enfrenta situações difíceis com ponderação e, ao ver uma barata, grita, sobe na mesa. Na verdade, não é só a barata que ela vê na barata. Projeção – Quando um jovem, por exemplo, critica os colegas por serem extremamente competitivos e não se dá conta de que também o é, inclusive, até mais do que os colegas. Isto resulta de uma confluência de distorções do mundo externo e interno. É quando o indivíduo projeta algo de si no mundo externo e não percebe que aquilo é algo de si mesmo que ele considera indesejável. Racionalização – quando o indivíduo constrói uma argumentação intelectualmente convincente, capaz de justificar os estados “deformados” da consciência; nesse caso, o ego coloca a razão a serviço do irracional e, para tanto, utiliza o material fornecido pela cultura. Como exemplo, temos as justificativas ideológicas para os impulsos destrutivos que resultam na eclosão de uma guerra. Além destes mecanismos de defesa do ego, outros podem ser citados como: a identificação, o isolamento, a anulação retroativa. De alguma forma nós utilizamos esses mecanismos em nosso dia-a-dia, o que significa dizer que nós deformamos a realidade para nos defender de perigos internos e externos, reais ou imaginários. O uso desses mecanismos não é, em si, patológico, mas distorce a realidade.[4]

            As pulsões. Mais do que instinto ou tendência, as pulsões, cuja etimologia é de origem germânica (trieb), estão relacionadas a movimento, movimento-mudança inerente aos vivos. A pulsão nos é apresentada como um conceito-limite entre anímico e somático, como representante psíquico dos estímulos provenientes do interior do corpo. O termo “Trieb”, de uso muito antigo, conserva sempre a nuança de impulsão (treiben=impelir). Apesar do termo “Trieb” só apareça nos termos freudianos de 1905, ele tem a sua origem como noção energética na distinção que muito cedo Freud faz entre dois tipos de excitação (Reiz) a que o organismo está submetido e que tem de descarregar em conformidade com o princípio de constância. Ao lado das excitações externas a que o indivíduo pode fugir ou de que pode proteger-se, existem fontes internas portadoras constantes de um afluxo de  excitação a que o organismo não pode escapar e que é o fator propulsor do funcionamento do aparelho psíquico. Mais de quarenta e cinco expressões foram forjadas por Freud, a partir de “trieb” para tornar claro o conceito de pulsão. Mais do que isso, ele qualifica as pulsões como: sexuais, do Eu, de autoconservação, de agressão, de dominação, de superioridade, de destruição, de vida, de morte, de saber, gregárias, sociais, sem contar a determinação das pulsões parciais, nem a teoria das pulsões, “Trieblehre”.

            Freud, sobre a formação do caráter. De acordo com Sophie de Mijolla-Mellor (Imago, 2005) em seu verbete inserido no Dicionário Internacional de Psicanálise, a noção de caráter “...designa o conjunto de maneiras habituais de sentir ou de reagir que distinguem um  indivíduo de um outro.” A partir deste conceito e neste estudo, o objetivo aqui é ampliar o conhecimento a respeito da fundamentação teórica da formação do caráter na psicanálise em Freud, o criador e principal articulador da psicanálise.   

            Há de se reconhecer que Freud sempre esteve interessado nesta questão; todavia, apesar desse interesse, nunca formulou uma teoria do caráter propriamente dita, como o fez com a teoria das pulsões, por exemplo. O termo, caráter, sempre aparece disperso na obra freudiana. Mesmo assim, é visível nos vários escritos freudianos alusões à formação do caráter, não só nas anamneses clínicas nas quais mostra a importância que dá ao caráter dos familiares de seus pacientes e pessoas do círculo mais íntimo dos mesmos, quando também faz referência às alterações de caráter dos próprios pacientes sob os seus cuidados. Pode-se até agregar a essas situações, a qualidade de caráter dos sujeitos, isto é, bom ou mau caráter, a irritabilidade, a aspereza ou bondade de caráter, conforme estão sempre presentes em sua obra.

            Embora não encontremos na literatura freudiana uma “teoria de caráter” propriamente dita, é possível encontrar em várias de suas obras, principalmente nas reconhecidamente mais importantes, algumas aparições do termo “caráter” de maneira mais significativa. De maneira resumida a posição de Freud sobre a formação do caráter, destaca a libido como fundamental, pois nela é que este se sustenta. A argumentação de Freud para isto está em achar que uma parte da libido pré-genital permanece invariável no sujeito; que se produz uma reação contra o instinto; e que se sublima o que é instintual. Nestes dois últimos argumentos, para ele, estão os modos de evolução do ser humano, que cristalizam o caráter, pois, em função da libido.

            A conclusão de Freud é, portanto, que as estruturas de caráter são o resultado da formação de reações e da sublimação e que o caráter se forma inconscientemente, derivado de esforços do Superego por dominar os impulsos do Id. Desta forma, o caráter se mostra como um mecanismo defensivo, como uma transformação da libido.  Percebe-se aqui, que Freud seguiu claramente uma nítida orientação biológica.

Pensadores contra e a favor das teorias de Freud.

            Ferenczi (1873 – 1933) – nunca chegou a ser expulso do grupo de psicanalistas, mas, com Otto Rank, demonstrou grande interesse pela versão mais curta da terapia. Freud não aprovava essa posição, mas nunca chegou a haver um rompimento entre os dois.

 Wilhelm Stekel (1888 – 1940) Foi considerado por Freud um bandido, quando chegou ao cúmulo de dizer: “Depois de trinta anos de experiência analítica, não acredito mais na importância fundamental do inconsciente”. Freud considerou essa declaração uma heresia, e “...quanto menos se falar dele, melhor!”

            Alfred Adler (1870 – 1937) – Foi um dos primeiros a se afastar do grupo ortodoxo. Era membro da Sociedade Psicanalítica de Viena e parecia ser um feliz protegido de Freud. Em 1907, quando publicou “Estudo de Inferioridade Orgânica, onde afirma que “...ser humano significa possuir uma sensação de inferioridade” e que os impulsos eróticos primitivos não eram sexuais, mas agressivos, afastou-se de Freud.

            Otto Rank (1884 – 1949) – Começou a se afastar do grupo da ortodoxia freudiana e teve que pagar um preço. Rank foi um dos protegidos diretos de Freud, que desde 1905 reconhecia seu potencial. Auxiliou a sua educação acadêmica e o tratava como um filho. A decepção de Freud surgiu quando Rank e Ferenczi publicaram “O Desenvolvimento da Psicanálise” onde defendiam a idéia de reduzir o tempo do tratamento terapêutico. Dava a entender que as experiências infantis não eram tão importantes e que o paciente adulto podia lidar rapidamente com os seus problemas. Em síntese, Rank afirmava que o trauma do nascimento era mais importante do que o Complexo de Édipo e que a origem da angústia era este acontecimento assustador.

            Carl Jung (1875 – 1947) – Foi presidente da Associação Internacional de Psicanálise e acabou sendo considerado mais um herético na avaliação de Freud. Jung, em um artigo em 1913, anunciou que ia livrar a Psicanálise de sua ênfase exagerada na sexualidade e começou a falar de uma “Psicologia Analítica”, o que o levou a afastar-se de Freud. Passou a desenvolver a sua própria psicologia, na qual aborda o que chamou de “inconsciente coletivo”, os fenômenos da mente (psique), libido (dinâmica) e não apenas concentrada nos órgãos genitais, progressão/regressão, símbolos (fato psíquico), supressão, inconsciente pessoal, complexos (conscientes/parcialmente conscientes), arquétipos (imagens primordiais e misticismo/mito). Ao contrário de tudo isso Freud fala de inconsciente, sexualidade infantil, complexo de Édipo, sonhos (realização de desejos), associação livre, ciência (determinismo), castração/inveja do pênis, amnésia infantil, sublimação, narcisismo, instintos/pulsões.

Melanie Klein (1882 – 1960) – Em suas teorias, com conceitos muito claros a respeito da evolução emocional e psicosexual do ser humano, a partir do estudo do desenvolvimento da criança desde o seu nascimento à sua vida adulta, sinaliza no sentido de se poder compreender o processo de formação do caráter do indivíduo e sua maneira de ser quando adulto. Chama-nos a atenção no pensamento kleiniano: as teorias sobre a posição esquizo-paranóide, com o problema da avidez infantil, da idéia de “seio bom” e “seio mau”, o problema da origem do Ego e do Superego, as questões levantadas sobre identificação, introjeção e sadismo, entre outras.

            Ao lado de Otto Rank, Melanie Klein aceitava que a criança enfrenta o seu primeiro estado de angústia durante o nascimento, quando se dá a perda da vida considerada feliz no útero de sua mãe. É quando se dá a saída da plenitude para o mundo real, o qual se apresenta de forma grosseira e cruel, despertando sensações como o frio, a fome, e necessidades como urinar, defecar, entre outras. Nessa situação, ao perceber sua dependência do outro para sobreviver, nasce a frustração, uma experiência sentida como causada por forças por objetos externos.  Impulsos destrutivos, então, são dirigidos para estes objetos, passando posteriormente para ataques sádicos ao corpo da mãe, enquanto parte destes impulsos permanece ligada à libido no interior do organismo. Tudo isso ocorre, portanto, quando a criança sente o equivalente a um ataque de forças hostis, um tipo de perseguição que a leva à ansiedade persecutória (que é um desdobramento da própria agressividade), que se inicia e aumenta com a luta entre os instintos de vida e de morte. Essa ansiedade, portanto, que ocorre desde o início, está nas relações que o ser estabelece com os objetos. É nos primeiros três ou quatro meses de vida, portanto, que Klein reconhece acontecer a posição esquizo-paranóide.

            D. W. Winnicott (1896 – 1971) -  Sua obra esteve focada nos processos de maturação, especialmente em relação aos momentos constituintes do “si-mesmo” e da relação com o outro. É ele quem faz a introdução do conceito de “objeto transicional” e “fenômenos transicionais”, a teoria da “mãe suficientemente boa”, a formação e desenvolvimento do sentimento de culpa, e trabalha o conceito de Superego. Sua visão é a de que cada ser humano traz um potencial inato para amadurecer, para se integrar; o fato dessa tendência ser inata, porém, não garante que realmente ela vá acontecer. Isso dependerá de um ambiente facilitador que forneça cuidados que se tornam necessários. Daí a constatação da importância e necessidade da “mãe suficientemente boa” (não necessariamente a própria mãe do bebê), por exemplo, que é capaz de favorecer essa adaptação ativa às necessidades da criança, incluindo também sua capacidade de aquilatar o fracasso dessa adaptação e de tolerar os resultados da possível frustração nesse processo.

                         Wilhelm Reich (1897 – 1957) – Wilhelm Reich foi um dos mais polêmicos pensadores da história da Psicanálise. Pertenceu a Associação Psicanalítica de Viena de 1920 a 1934, onde provocou muitas controvérsias, da qual veio a ser expulso por afastar-se da ortodoxia freudiana. Entre suas obras de fundamental importância para entendimento de seu pensamento, está “A Análise do Caráter”, texto editado em 1933, que engloba as orientações técnicas formuladas pelo autor durante sua trajetória institucional  na psicanálise. No texto, dividido em duas partes, Reich faz, na primeira, uma discussão sobre a técnica psicanalítica; na segunda aborda especificamente a teoria da formação do caráter, com a finalidade de extrair da experiência analítica, as lições que possibilitassem a formulação de preceitos técnicos de forma mais universal.

                Vale ressaltar a importância da publicação de “Análise do Caráter”, em 1933, tendo em vista tratar-se do primeiro texto na psicanálise voltado para uma teoria do caráter, com a elaboração de conceitos de análise caracterial e suas modalidades de intervenção, com uma estratégia terapêutica. O trabalho que Reich desenvolve na I Parte de “Análise do Caráter”, referente à “Técnica da análise do caráter”, é uma contribuição muito importante para o trabalho de análise por ele proposto, além das observações que faz sobre a técnica analítica em geral.

            Sullivan (1892-1949), Horney (1885-1952) e Erich Fromm (1900-1980) – São da escola culturalista, pós-freudianos, que se dividiram em pensadores da direita e da esquerda do movimento. Estes, são da esquerda do movimento psicanalítico. Harry Stack Sullivan foi um psiquiatra muito experiente e de profundos conhecimentos teóricos-sociológicos. Tornou-se famoso por seus sucessos no tratamento de esquizofrenias e na elaboração da teoria das relações interpessoais. Foi um escritor muito técnico, com uma redação sintética e confusa.[10] Karen Horney, foi analista em Berlim entre as décadas de 20 e 30 como freudiana ortodoxa. Ao mudar-se para os Estados Unidos, começou a trabalhar no Instituto Psicanalítico de Nova Iorque e ao mesmo tempo começou a ter interesse pelos fatores sociais e sua influência na vida psíquica das pessoas. Isto se percebe no livro que escreveu sobre “A Personalidade Neurótica do Nosso Tempo”, no qual faz um resumo de suas divergências  em relação aos freudianos ortodoxos. Deixa bem claro nessa obra que a contribuição de Freud para o desenvolvimento da Psicanálise deve ser reconhecida, mas é preso reconhecer que sua abordagem estava muito presa à mentalidade do século XIX; Freud nunca deixou de pensar na importância da anatomia e da Biologia em relação à diferença entre os sexos, tese que precisa ser revista à luz dos fatos sociais do século XX. Quanto a Erich Fromm, ver de maneira mais detalhada e aprofundada suas teorias no contexto da cultura e dos fatos sociais que ocorrem na sociedade tecnológica, em função de uma Psicanálise Humanista, que é o objeto principal de estudo nesta monografia.

            Jacques Lacan (1901 – 1981) – Produziu uma obra de difícil compreensão. Nunca deixou de ser freudiano, mas de estilo complicado. Afirmou que o Inconsciente tem a estrutura de uma linguagem, o que demonstra que ele acredita na idéia de inconsciente, tem um enorme interesse pela língua e pode parecer ao mesmo tempo simples e claro, sendo, porém, ao mesmo tempo, difícil e obscuro. Enquanto Freud tendia mais para a Biologia e o determinismo, Lacan estava mais interessado na linguagem e nas estruturas; enquanto Freud procurava examinar a inter-relação entre a Biologia e a mente, Lacan preferia estudar a cultura, a linguagem e as estruturas mentais. Pode-se dizer que Lacan modernizou as teorias de Freud com a ajuda da lingüística e procurou criar  uma Psicanálise universal, que a livrasse do legado do século XIX. Ele concordou com Freud ao afirmar que o mundo infantil é o alicerce da identidade do adulto. Para Lacan, não vivemos em um mundo de realidades, mas num mundo de símbolos, de significantes (o significante é algo que representa outra coisa).

A Psicanálise Moderna.

            São várias as linhas de pensamento e práticas psicanalíticas em nosso tempo. Existe todo tipo de terapia. A mudança mais marcante, seja a que está ligada ao surgimento da psicoterapia feminista, que questiona as velhas idéias de Freud sobre a inferioridade das mulheres. A Psicanálise, porém, tem exercido uma influência gigantesca sobre as ciências sociais, a teoria cultural, a política sexual e as nossas atitudes em relação ao comportamento e o desenvolvimento do indivíduo, embora persistam algumas divergências sobre questões como a existência do Inconsciente, a importância da infância, entre outras. Enquanto os ortodoxos dizem que o complexo de Édipo é universal, os culturalistas, como Erich Fromm, dizem que cada cultura produz uma estrutura psicológica específica.

            Quais seriam as causas para as divisões na Psicanálise? – Vale a pena dedicar pelo menos um parágrafo para responder a esta questão. Primeiramente porque a Psicanálise em si, pela sua complexidade e dificuldades de ser compreendida em termos individuais, apresenta uma certa tendência para criar controvérsias; também cada alteração na natureza e nos resultados da terapia parece lançar novas luzes sobre as explicações teóricas já conhecidas. quando alguém levanta uma discordância, a discussão racional dá lugar a agressões teóricas e formam-se novas escolas, como se fossem seitas religiosas. Desde o início, a dinâmica da liderança no movimento, sempre provocou desafetos e rebeldia. É importante reconhecer que sempre houve problemas causados pelos conflitos entre causas biológicas e sociais nunca resolvidos. O próprio Freud, com seu autoritarismo por manter o controle do movimento e a permanência de sua linha teórica, embora ele mesmo sempre mudasse de opinião, também contribuiu para que houvesse dissidências, rebeldias, algumas até de maneira drástica!

[1] FREUD, Sigmund, A História do Movimento Psicanalítico (1914), In Obras Completas de Freud, Vol. XIV, 50 p.

[2] ORBORNE, Richard, “Freud para Principiantes”, Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 1993, 171 pp.

[3] OSBORNE, Richard, Freud para Principiantes, Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 1993, p. 51.

[4] BOCK, Ana Mercês Bahia, FURTADO, Odair, TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi, Psicologias, 13ª. Edição, São Paulo: Editora Saraiva, 2001.

[5] KLEIN, M. - El desarrollo temprano de la consciência del niño, p. 87.

[6] REICH, W., “Análise do Caráter”, 1933, p. 188.

[7] GUARDO, R. G. Mandolini, Historia General del Psicoanálise, p. 361)

 

[8] REICH, W. Análise do Caráter, 1933, p. 212.

 

[9] Ibid, p.217)

 

[10] GUARDO, Ricardo G. Mandolini, “De Freud a Fromm – Historia General Del Psicoanálisis, Buenos Aires: Editorial Ciorda, 1963, p.404.

 

2) ARTIGO DO MÊS ANTERIOR: A TERAPIA PSICANALÍTICA

                A terapia analítica é uma alternativa válida, usada por psicanalistas de diversos tipos de abordagem, com a finalidade de ajudar pessoas vítimas de emoções descontroladas, frustrações, angústia, depressão, desejos reprimidos, consciente ou inconscientemente, síndrome do pânico, fobia, solidão, compulsão, medo, outros. De modo geral os principais motivos pelos quais as pessoas buscam a análise são dificuldades nos relacionamentos afetivos, nos conflitos familiares, problemas sexuais, profissionais, traumas, entre outros.

O trabalho de análise é muito importante para esses pacientes, tendo em vista o seu bem-estar e vida com qualidade. A terapia psicanalítica abre um importante caminho de possibilidades para o alívio dos indivíduos em meio às suas tensões, estresse, situações de desconforto. Mas as pessoas não precisam estar cheias de problemas para buscar ajuda. A análise também pode ter caráter preventivo, principalmente quando as pessoas vivem e trabalham em  situações estressantes.

            É certo que o atendimento analítico possibilitará ao indivíduo a descoberta de si mesmo, o reconhecimento de suas características pessoais, um reconhecimento melhor de seus pensamentos e sentimentos, e a chance de refletir sobre suas reações no relacionamento social e consigo mesmo.

            É um dos princípios fundamentais para o êxito do processo analítico, que o paciente queira submeter-se a análise. Sem essa decisão, de caráter pessoal, o indivíduo não se submeterá naturalmente ao desarme de seus sentimentos de culpa, de seus complexos, rótulos, e papéis que nos são impostos ou queremos assumir com conseqüências que nos deixam ou deixaram sequelas, nem se livrará dos traumas, de infância, por exemplo, que continuam tendo influências negativas na vida adulta.

            A terapia psicanalítica é, pois, um bem necessário a ser buscado. Ela envolve uma decisão séria, atitudes e ações, o conhecimento de si mesmo, a possibilidade de compreender a si próprio e ao outro, de maneira saudável.

 

 

3)INFORMAÇÕES GERAIS:

 

4) ONDE E COMO ENCONTRAR TRATAMENTO PSICANALÍTICO:

Para distúrbios mentais causadores de depressão, fobia, solidão, síndrome do pânico, medo, angústia, ansiedade, transtorno, compulsão. Através do autoconhecimento, o analisando terá acesso aos problemas que estão no Inconsciente e geram sofrimento e desequilíbrio em sua vida emocional e psíquica.

Psicanalista: Leontino Farias dos Santos

Consultório: Rua Pitangueiras, 223, Praça da Árvore (a uma quadra da estação do Metrô), em São Paulo - Capital.

 

 

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