MEDITAÇÃO DA SEMANA: "VOCÊ ESTÁ NO FUNDO DO POÇO!"

 

                                           Rev. Leontino Farias dos Santos

 

            “Depois o pegaram e o jogaram no poço, que estava vazio e seco” (Gn 37. 24).

 

            Há na Bíblia uma interessante história de um rapaz que foi lançado no fundo de um poço. Trata-se de José, filho do patriarca Jacó. Seus irmãos, com ciúme e ódio, resolveram jogá-lo em um poço vazio e seco, no meio do deserto, longe da casa do pai. Ali ficou José até ser vendido à uma caravana de ismaelitas que ia para o Egito. Que lições podemos tirar dessa história?

 

            A situação de José é semelhante a de muita gente: muitos, em nossos dias, estão “no fundo do poço”: uns foram empurrados por familiares ou amigos; em certas situações há os que se jogaram no fundo do poço por falta de bom senso, por desequilíbrio em sua vida moral, financeira, por vícios, falta de orientação e precipitação, porque se esqueceram de Deus!

 

            Quando as pessoas são empurradas no fundo do poço, geralmente é por má fé nas relações interpessoais, egoísmo, inveja, mentira, ódio, espírito de vingança. Foi o que aconteceu no caso dos irmãos de José. Eram pessoas marcadas pelo ódio, sanguinárias, e que chegaram até a desejar a sua morte. Certamente, não tinham Deus em seu coração, não seguiam os conselhos nem o exemplo de seu pai. Acreditavam mais na força física e na violência contra o próximo.

 

            Muitas vezes também estamos cercados de gente perversa que deseja o nosso mal, capaz de nos levar a situações delicadas. Também convém lembrar que muitas vezes não somos jogados no fundo do poço, mas nós mesmos nos jogamos nele e até cavamos a nossa sepultura! Por isso, cada um precisa pensar mais e melhor em sua vida moral e espiritual, preservando valores que nos ajudem a superar provações, superstições e desespero.

 

            Como muitos são lançados e estão no fundo do poço?

 

            Na experiência de José, diz o texto sagrado que “... eles arrancaram dele a túnica longa, de mangas compridas, que ele estava vestindo” (Gn 37. 23). Em outras palavras, despiram-no de seus valores de dignidade, respeito, honra. Humilharam-no impiedosamente. É o que ocorre com quem perdeu o seu emprego, está sem dinheiro, separou-se do esposo ou da esposa, perdeu a confiança dos filhos ou dos pais, é dominado por doenças e vícios, perdeu amigos e a credibilidade no meio social e encontra-se no poço das aflições, do desespero...

 

            Uma pessoa despida dos valores que caracterizam sua personalidade e conduta,  torna-se profundamente triste, sendo capaz de levá-la à depressão e desespero se não tiver um Deus para crer. Muitos que se jogaram ou que foram jogados no fundo do poço vivem hoje essa situação.  Na crise, uns perdem a auto-estima, outros sentem-se solitários, abandonados, e desesperadamente buscam qualquer alternativa, sem futuro, enganadoras, ilusórias, tais como: bebidas alcoólicas, drogas, feitiçarias, religiões de mistério e adoração de deuses estranhos.

 

            No fundo do poço o ar não existe em abundância e é imensa a escuridão. Nem sempre é possível ouvir e entender a voz dos que estão fora dele. Tudo isso aumenta a ansiedade, o medo, enfim o sofrimento. É também o que ocorre com todos os que em sua vida moral ou espiritual foram empurrados para o fundo do poço. Falta-lhes a luz da esperança, a renovação do ar, alternativas de vida. Como sair do poço para livrar-se da morte?

 

            Na experiência de José ele foi tirado do poço pelos seus irmãos e vendido como escravo a negociantes midianitas que viajam para o Egito. Foi bom para José livrar-se daquele poço, mas foi triste ser vendido como escravo para viver no Egito. Percebe-se aqui como é complicado para alguém ser jogado ou jogar-se no poço e em seguida ser resgatado por mãos pecaminosas, comprometidas com o mal!

 

            Diante da necessidade de sair do poço para não morrer, é muito difícil e quase impossível, que se consiga  êxito tentando sair sozinho. Para uma pessoa deprimida, sem forças físicas, morais e espirituais as tentativas podem fracassar com facilidade. Pois alguns fundamentos da vida podem estar deteriorados: falta de equilíbrio, reflexos, orientação, capacidade de pensar com sobriedade, persistência, entre outros.

 

            A ajuda de alguém para sair do poço, porém, tem que ser avaliada: quem quer nos tirar do poço e com qual intenção? Os irmãos de José o tiraram para vendê-lo como escravo! Pode ser que apareça em nossa vida pessoas querendo ajudar, mas com a intenção de nos submeter a algum tipo de escravidão: para nos tornar escravos de crendices misteriosas, de ilusões, de drogas alucinógenas, de preconceitos, de algum tipo de neurose ou mesmo de pessoas ou grupos.

 

            Mesmo os especialistas em saúde física e mental, qualidade de vida, relacionamento entre pessoas (psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais, médicos, líderes religiosos), precisam ser vistos com cuidado para que não os façamos nossos ídolos ou nos tornemos dependentes deles na continuação de nossa caminhada. Os bons profissionais certamente trabalharão para que isso não aconteça. Este é um risco a ser observado e evitado.

 

            Do ponto de vista espiritual somente Jesus Cristo pode nos ajudar, com segurança, a sair do fundo do poço, de qualquer poço, sem nos levar a escravidão. Por intermédio dele certamente seremos livres. Foi por isso que ele veio ao mundo: para resgatar a humanidade do poço da perdição; para dar uma nova chance de vida a todos aqueles que nele crerem.

 

            Se você acha que já está no fundo do poço de problemas em sua vida; se você se considera sem perspectivas em relação ao futuro; se você acha que o seu caso não tem jeito, lembre-se que Jesus Cristo poderá libertá-lo de seus males, renovar suas esperanças e propósitos, mostrar-lhe um novo caminho a seguir. Foi o que ele fez quando livrou da morte a mulher adúltera, apesar do que prescrevia a lei; foi o que ele fez ao ressuscitar o filho da viúva de Naim; foi o que ele fez ao curar leprosos, paralíticos, e mesmo com o ladrão da cruz: todos eram casos humanamente sem jeito, mas que foram resolvidos através de Cristo. Pense em tudo isso! Se você está com a vida no fundo do poço, Jesus poderá libertá-lo para uma vida melhor. Experimente!

 

VEJA A MEDITAÇÃO DA SEMANA ANTERIOR: "VOCÊ PODE SER UM NÁUFRAGO!"

 

 

                            Rev. Leontino Farias dos Santos

 

            “Portanto, ponham em primeiro lugar nas suas vidas o Reino de Deus e aquilo que Deus quer, e ele lhes dará todas as outras coisas” (Mt 6.33).

 

            O escritor espanhol Miguel Delibes, escreveu um romance apaixonante: “Parábola do náufrago”. O náufrago, para o escritor, não é o homem do mar, mas o homem da terra. O homem das nossas cidades que é arrastado a pouco e pouco para a morte. De que e de quem o homem é náufrago? – De si mesmo e das coisas que o rodeiam e envolvem, responde o autor. Mais do que nunca, o homem de hoje está fora de si mesmo, do ambiente e das coisas que criou. Pressões e repressões, agressividade, meios de informação, sociedade de consumo, compras a prestações, e outros, fazem do homem um náufrago.

 

            Diante desse quadro que identifica a situação do ser humano em nossos dias, sente-se a necessidade de se achar um caminho de salvação para que se evite o naufrágio e o fim da existência. E essa tem sido a preocupação de todos, muitas vezes, porém, com decisões equivocadas, apostando-se em recursos já superados do próprio homem como: suas próprias forças, suas “boas obras”,  seus projetos artificiais de felicidade, de auto-ajuda, entre outros.

 

            A Bíblia Sagrada proporciona-nos a fórmula para a libertação do ser humano desse naufrágio que ameaça a sua vida em meio às ondas de problemas e angústias de nosso tempo. No Evangelho de Mateus Jesus diz: “Portanto, ponham em primeiro lugar nas suas vidas o Reino de Deus e aquilo que Deus quer, e ele lhes dará todas as outras coisas” (Mt 6.33). Aqui Jesus Cristo acentua deliberadamente a tensão em relação ao que nos é necessário e principal, como que a nos dizer: para quê perder-se a naufragar em tantas coisas?

 

            Considerar a o Reino de Deus em primeiro lugar significa dar prioridade ao cultivo da vida espiritual, tendo como fundamento a Palavra de Deus e como caminho a pessoa de Jesus Cristo. Essa Palavra de Deus e esse Caminho que é Jesus, implica na necessidade que todo o ser humano tem de ter uma vida que valorize o desenvolvimento da espiritualidade a fim de que tenha mais recursos, mais forças e equilíbrio para enfrentar as dificuldades e exigências da vida humana. Até os especialistas em negócios que só visam o lucro e vantagens para empresas e patrões defendem a importância de se valorizar a espiritualidade como ajuda fundamental para o sucesso em empreendimentos absolutamente seculares, comerciais.

 

            O rabino Nilton Bonder em seu livro “Fronteiras da Espiritualidade” diz que para o mundo em que vivemos, de contradições e paradoxos, somente serão grandes vencedores os que forem munidos de grande força interior. Diz ainda que a inteligência espiritual é a mais capacitada e indicada para entrar em ação por ser a fonte do bem senso, do equilíbrio, da mansidão, do nível máximo da lucidez. Esta é uma visão pragmática da espiritualidade, utilitarista e absolutamente voltada para o sucesso no mundo dos negócios. Essa visão é hoje também explorada pela World Business Academy (WBA), pelo Instituto Ethos, dirigentes de ONGs internacionais e por um dos mais respeitados nomes do novo cenário da liderança em negócios em todo o mundo, David Cooperrider.

 

            Embora, o mundo dos negócios esteja chamando a atenção de todos para o valor da espiritualidade, até pouco tempo por ele desprezado, ao descobrir sua pertinência e necessidade para a obtenção de mais sucesso, mais lucros, mais dinheiro, mais segurança na administração do capital material de uma empresa, é preciso que tenhamos cuidado! Não se deve buscar o Reino de Deus em primeiro lugar com a expectativa de se obter mais bens materiais! Não é com essa finalidade que Jesus pregou! Ele fala do Reino de Deus como um ideal a ser alcançado através do arrependimento, da conversão a uma nova maneira de viver, da transformação do caráter, do abandono a tudo que possa comprometer a verdadeira comunhão consigo mesmo, com o próximo e com Deus. Além do arrependimento esse Reino exige fé, obediência e pobreza no sentido de radical humildade, conforme Jesus Cristo nos ensinou dizendo: “Felizes os que sabem que são espiritualmente pobres, pois o Reino do céu é deles” (Mt 5. 3).

 

            Os que buscam o Reino de Deus na perspectiva de melhor desenvolver sua espiritualidade, certamente encontrarão a força necessária para não naufragar diante das aflições deste mundo e das constantes ameaças de morte ao seu redor, nem para se apegar a qualquer “tábua de salvação” que aparecer. Com discernimento, aprendem a superar as tentações ao consumismo e a uma vida de ilusões. O que o Reino de Deus garante ao ser humano é, portanto, equilíbrio, sobriedade, respeito ao próximo e à natureza, amor, compreensão, perdão, solidariedade, entre outros valores do espírito. Tudo isso forma o grande capital que o ser humano precisa para sobreviver e viver de maneira completa e abundante. E além disso, “...ele lhes dará todas as outras coisas” (Mt 6.33).

 

            “...Todas as outras coisas” a que se refere Jesus, estão relacionadas ao bem-estar material do qual necessitamos para não ser um “náufrago” neste mundo, tendo equilíbrio para viver bem, com dignidade, em um mundo no qual estamos dispersos, em meio a abundância de coisas, luzes e cores que nos envolvem e nem sempre nos satisfazem.

 

            Jesus quer que tenhamos as “outras coisas”: trabalho, casa, meios dignos de transporte, de comunicação, alimento, remédio, saúde, boa educação, roupas, conforto, “o pão nosso de cada dia”, enfim. É importante lembrar que quando Jesus se refere à pobreza não está querendo que sejamos privados de ter o que é necessário para viver. Ele nos quer pobres, mas com dignidade, com os recursos básicos para uma vida feliz, sem miséria. O que Jesus abomina é o egoísmo, a riqueza como resultado da exploração do semelhante, em detrimento do bem-estar dos necessitados. Jesus reprova a riqueza como ídolo da sociedade, capaz de esmagar os pobres e miseráveis.

 

            Jesus Cristo quer que tenhamos “outras coisas” para uma vida digna e completa, desde que o Reino de Deus e a sua justiça, o amor a Deus sobre todas as coisas, estejam em primeiro lugar. Procedendo assim, não seremos náufragos neste mar de problemas e ameaças de morte.

 

 

 

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