
A MEDITAÇÃO DA SEMANA: "MENTIRAS QUE PARECEM VERDADE"
Rev. Leontino Farias dos Santos
“... Mas vocês estão confiando em mentiras e pensam que a desonestidade os protegerá... Os abrigos em que vocês confiam não são seguros; eles serão destruídos por chuvas de pedra, serão arrasados por trombas d’água” (Is 28. 15 e 17).
O escritor italiano Umberto Eco, autor de várias obras na literatura mundial, entre elas “O Nome da Rosa”, escreveu também um texto crítico, de grande repercussão na área de educação sob o título “Mentiras Que Parecem Verdades”. Nesse texto ele se refere às mentiras que aparecem nos livros didáticos de seu país, quando tratam de assuntos como pátria, guerra, escola, trabalho, dinheiro e até mesmo quando se referem a Deus e a religião. Para Umberto Eco, todos esses valores da sociedade humana são sempre apresentados de maneira mascarada, isto é, de maneira mentirosa, e de forma tão perfeita e bem elaborada que não passam de “mentiras que parecem verdades”. Tudo isso nos faz pensar em uma questão muito séria em relação ao comportamento humano: por que as pessoas mentem?
Podemos dizer que as pessoas mentem, por algumas razões facilmente perceptíveis:
a) Para evitar conflitos quando a realidade em que vivem é uma ameaça ao seu bem-estar. Assim, para se proteger e evitar desconfortos, as pessoas mentem. Um exemplo disso é a atitude de uma criança que inventa uma doença para evitar o vexame de ter que ir a escola e fazer uma prova para a qual não se preparou.
b) A mentira também tem sido uma alternativa para facilitar o ajuste do ser humano ao meio onde vive, na busca de sobrevivência. Por isso é que às vezes as pessoas até trocam o ódio por um sorriso. E assim mentem para não perder: para não perder amigos; para não perder clientes, para não perder o emprego, para não perder a família.
c) Também mente-se para evitar a discriminação social, como refúgio para se obter segurança. Por isso, pessoas, com medo do ridículo, mascaram sua aparência física, por exemplo. A mentira aparece aqui como resultado de uma certa ansiedade e medo de se perder prestígio e atenção em relação às pessoas ou grupos com as quais alguém convive.
Percebe-se, até aqui, que, em busca de solução para pequenos ou grandes problemas pessoais, tem-se feito da mentira, a saída ou o refúgio para uma sobrevivência aparentemente digna, ainda que arriscada. Isso tem sido feito de várias maneiras. Quais seriam, então, as maneiras mais freqüentes de mentir?
a) Inicialmente citamos a mentira sistemática, isto é, aquela que é engenhosamente programada, com resultados mais ou menos esperados. A mentira dos políticos inescrupulosos é um exemplo disso. Maquiavel, um filósofo do século XVI, falando dos políticos do seu tempo, já dizia que “as idéias são diferentes no palácio e na praça”, isto é, o que se promete nas ruas e nas praças não se cumpre nos palácios. Outro exemplo de mentira programada é o que se vê nas propagandas comerciais, muitas delas “enganosas”, quando usam artifícios e mensagens subliminares que criam necessidades, exploram emoções e traem a consciência e boa-fé das pessoas a fim de que comprem o que não precisam com o dinheiro que não têm.
b) Existe também a mentira pérfida, isto é, fraudulenta, praticada com a intenção de se obter vantagens pessoais; inclue as práticas de pessoas que não têm respeito por ninguém nem por si mesmas. São os que mentem para si próprios, sentindo-se vencedores quando mentem para os outros; diz respeito aos que fazem de conta que realmente são os maiores, os mais fortes, os mais capazes, os mais poderosos.
c) Há um terceiro tipo de mentira, as piedosas, de caráter ético, às quais se recorre por respeito ao ser humano e, por discreção, em casos de doenças, para não abater a pessoa que sofre. Geralmente são praticadas por médicos e familiares.
d) Finalmente, queremos nos referir às mentiras patológicas, praticadas por pessoas doentes. É o caso dos megalomaníacos, por exemplo, que não conseguem distinguir claramente entre a realidade e a imaginação. São os afeitos a fantasias mirabolantes.
Existem vidas que encarnam mentiras. Esteticamente, muitas pessoas costumam usar tipos de cabelo, ornamentos, roupas e maquiagens ou bens materiais para esconder o que são, suas reais características ou status social. Do ponto de vista moral, muita gente adota práticas com as quais não concorda intimamente a fim de ser aceita pela maioria. O moralismo de alguém, por exemplo, pode ser uma expressão de mentira, ao assumir uma postura contra atitudes que intimamente não condena. Na vida religiosa, são muitos os que buscam e adoram a Deus de maneira apenas formal, hipócrita, sem qualquer compromisso e responsabilidade com o ser que adora e com o próximo a quem deve amar. Tudo isso nos leva a concluir que a vida humana está cheia de “mentiras que parecem verdades”.
Por coisas assim, as palavras do profeta Isaias no capítulo 28, do verso 15 e 17, condenando a mentira dos dirigentes de Judá, em seu tempo, servem para nós. Como eles, muitos hoje também fazem da mentira o seu refúgio e da falsidade o seu esconderijo. O profeta adverte dizendo que a mentira será eliminada pelo juízo de Deus e, de igual modo, serão castigados os que a praticam e fazem dela o seu abrigo e segurança. Um dia esses “abrigos” serão destruídos! Por tudo isso, cuidado com as mentiras que ainda parecem verdades!
VEJA A SEGUIR A MEDITAÇÃO DA SEMANA ANTERIOR: "DESAFIOS DAS TEMPESTADES DA VIDA"“Por que é que vocês são assim tão medrosos? Vocês ainda não têm fé?” – E eles cheios de medo diziam: ‘Que homem é este que manda até no vento e nas ondas?” (Mc 4. 40-41)
No Evangelho de Marcos, capítulo 4, dos versos 35 a 41, podemos ler a respeito de um fato ocorrido com Jesus no Mar da Galiléia. Jesus atravessava o lago, à noite, de um lado para o outro, seguido por outros barcos, quando subtamente aconteceu uma grande tempestade. Apesar do vendaval, Jesus dormia tranqüilamente. Apavorados, os discípulos acordaram Jesus e pediram ajuda, pois temiam a morte num possível naufrágio. Ao perceber o que se passava, Jesus acalmou a tempestade e questionou os seus discípulos a respeito do medo e desespero que os apavorava.
Era comum acontecerem tempestades no Mar da Galiléia. Situado a 200 metros abaixo do nível do mar, esse lago é cercado de outeiros e mede 21 km de comprimento por 11 km de largura. Por ser rodeado de colinas e encontrar-se nas profundezas do vale do rio Jordão, tornaram-se naturais e inevitáveis perturbações atmosféricas naquele lugar, embora acontecessem sempre de maneira surpreendentes.
Que lições podemos tirar desse acontecimento?
Em primeiro lugar podemos dizer que as tempestades em nossa vida também são inevitáveis e surpreendentes. Isto significa que precisamos aprender a conviver com elas, independentemente de sua origem e extensão. Muitas vezes surgem repentinamente tempestades quase que incontroláveis em nossa vida financeira, em nossa família, em nossa saúde, em nosso trabalho.
Em segundo lugar, temos que reconhecer que a tempestade significa um momento de risco e que pela sua extensão e gravidade, muitas vezes chegamos a pensar que vamos naufragar. Isto porque ela é destruidora, desestrutura e desestabiliza as embarcações ou os bens ou as pessoas que estão sob ela, gerando medo, angústia e dor. Muitas vezes surgem, inesperadamente, ondas de problemas sobre nós, que também desequilibram a nossa personalidade e nos levam ao desespero, com medo da morte.
Em terceiro lugar, é preciso lembrar que a tempestade não vem apenas sobre nós, isto é, que as ondas de problemas e os riscos ao nosso redor não são apenas dificuldades e ameaças contra a nossa embarcação, isto é, contra a nossa casa, contra a nossa vida. No texto de Marcos está escrito que outros barcos seguiam o barco em que Jesus estava. Isto pode nos ajudar a entender que enquanto nós viajamos nesta vida, em meio a ameaças de morte, os barcos de outras pessoas também estão ameaçados. Em outras palavras, não somos os únicos a sofrer em meio às ondas de problemas que estão ao nosso redor.
Em quarto lugar, queremos lembrar que apenas no barco dos discípulos estava Jesus. O sofrimento e a ameaça de morte era de todos, mas apenas no barco em que os discípulos se encontravam estava alguém que tem todo o poder sobre todo o universo, e que somente ele poderia acalmar aquela tempestade. Isto nos leva a dizer que é preciso permitir que Jesus viaje em nosso barco, esteja conosco nos mares tempestuosos da vida. Lamentamos que a maioria da humanidade viaje sem Cristo. Muitos se negam a que Jesus entre em sua casa, em seu coração, em seus negócios! E quando surgem as tempestades de problemas na vida moral, financeira, física, ou na vida conjugal e familiar, não sabem para quem apelar ou apelam para coisas ou pessoas que não podem ajudar.
Os discípulos de Jesus naquela noite de tempestade, tiveram medo, ficaram apavorados, mas ao mesmo tempo tinham com eles, alguém cujo poder e extensão eles ainda não conheciam, mas que na verdade era a única esperança para livrá-los do naufrágio e da morte: Jesus Cristo. Em nossa viagem pela vida, é possível que muitos já tenham buscado os mais diversos recursos para evitar o naufrágio e a morte em sua vida, sem, contudo, obterem a salvação desejada. Existem problemas em nossa vida que realmente ninguém vai poder resolver. Seja em nossa vida material, moral ou espiritual. Em nossa vida espiritual, por exemplo, não há quem nos possa salvar das ondas de pecado, das tempestades de tentações. Somente Cristo.
Para quem você está apelando para resolver os problemas de sua vida, em meio às tempestades deste mundo? – Creia nas promessas de Deus, em Cristo, para vencer a essa situação. Convide Jesus Cristo para entrar em sua casa, em suas relações familiares e conjugais; convide Jesus Cristo para entrar em seus negócios, em seu trabalho e a por em ordem a sua vida financeira e moral. Convide Jesus para entrar em seu barco, antes que a tempestade chegue e seja tarde demais para que haja salvação.